domingo, 21 de dezembro de 2008

É fim de mês


Pela caixa federal, au, au, au,
Eu não sou cachorro não (não, não, não)!
Eu liquidei a prestação do paletó, do meu sapato, da camisa
Que eu comprei pra domingar com o meu amor
Lá no cristo redentor, ela gostou (oh!) e mergulhou (oh!)
E o fim de mês vem outra vez!

Eu já paguei o peg-pag, meu pecado,
Mais a conta do rosário que eu comprei pra mim rezar ave maria.
Eu também sou filho de deus
Se eu não rezar eu não vou pro céu,
Céu, céu, céu.
Já fui pantera, já fui hippie, beatnik,
Tinha o símbolo da paz pendurado no pescoço
Porque nego disse a mim que era o caminho da salvação.
Já fui católico, budista, protestante,
Tenho livros na estante, todos tem explicação.
Mas não achei! eu procurei!
Pra você ver que procurei,
Eu procurei fumar cigarro hollywood,
Que a televisão me diz que é o cigarro do sucesso.
Eu sou sucesso! eu sou sucesso!
No posto esso encho o tanque do meu carro
Bebo em troca meu cafezinho, cortesia da matriz.
"there's a tiger no chassis"...
Do fim do mês,
Do fim de mês,
Do fim de mês eu já sou freguês!
Eu já paguei o meu pecado na capela
Sob a luz de sete velas que eu comprei pro meu senhor
Do bonfim, olhai por mim!
Tô terminando a prestação do meu buraco, do
Meu lugar no cemitério pra não me preocupar
De não mais ter onde morrer.
Ainda bem que no mês que vem,
Posso morrer, já tenho o meu tumbão, o meu tumbão!

Eu consultei e acreditei no velho papo do tal psiquiatra
Que te ensina como é você vive alegremente,
Acomodado e conformado de pagar tudo calado,
Sem bancar o empregado sem jamais se aborrecer...
(Ele só que, só pensa em analisar, na profissão seu dever é adaptar, ele só que só pensa em adaptar, na profissão seu dever é adaptar)
Eu já paguei a prestação da geladeira,
Do açougue fedorento que me vende carne podre
Que eu tenho que comer,
Que engolir sem vomitar,
Quando às vezes desconfio
Se é gato, jegue ou mula
Aquele talho de acém que eu comprei pra minha patroa
Pra ela não me apoquentar,

E o fim de mês vem outra vez...



Raul Seixas

sábado, 16 de agosto de 2008

Antepois




É só pôr a foto do depois no lugar da foto do antes, ou vice-versa.


Viu como tudo fica bonito, e vice-versa?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Falcatruar-lhes-ão



Na roça o homem de bem trabalha, esforça-se, sua
Enquanto seu representante em casa dorme
Passando horas e horas sonhando com a falcatrua
Que fará com o dinheiro daquele pobre

Este não teve formação, mas possui ética
Não estudou, mas é melhor trabalhador
Já o parlamentar vem com essa de moral desértica
Só muito estudou para no roubo virar doutor

Usa e abusa, incansavelmente, com seu colarinho branco
Buscando estender o imperial poderio de marajá
Depositando-o nas Ilhas Cayman em seu predileto banco
Já o trabalhador observa que o Estado assistência não dá
Ele nunca entende o porquê de ter que trabalhar tanto
Só pega a enxada e pede aos céus para que possa suportar
Que um dia na vida ele há de gozar.

domingo, 11 de maio de 2008

Doce Mente

Mente, docemente a mente mente
Mente, doce mente essa mente
Mente, que mente nesse doce menta
Mente, aumenta menta de doce mental
Mente, mentalmente sempre que mente a mente
Mente, claramente mente mentalmente
Mente, clara mente, mente que nem sente
Mente, antigamente mentia a antiga mente
Mente, mente hodiernamente
Mente, hodierna mente, mente sempre
Mente, dementemente mente, que demente mente
Mente, sente que nem mente, demente quem não sente
Mente, mente que sente
Mente, amargamente mente a mente
Mente, amarga mente essa mente
Mente, gentilmente mente essa gentil mente da gente
Mente, à própria mente
Mente, sempre mente
Mente, sempre pra gente

Mente sempre mente, mas depois agüente
Mente, mas agora agüenta conseqüências de tua mente
Recentemente: ressentimento, agora se ressente mente recente
Impiedosamente, tudo que nossa impiedosa mente mente volta pra gente.




CHARLES AZEVEDO 23/12/2007